quarta-feira, 17 de março de 2010

RETRATO FALADO DOS FALSOS MESTRES

2 Pedro 2

Depois de escrever a respeito do seu propósito de exortar e admoestar os crentes a permanecerem firmados na verdade, sem tropeçar, de registrar a sua autenticidade como testemunha verdadeira da majestade de Jesus Cristo e de nos admoestar a estarmos atentos às Escrituras para andarmos na luz, o apóstolo Pedro discorre a respeito de um elemento de tropeço que é de fora do crente, mas que estaria dentro das igrejas de Cristo, o falso mestre, falso ensinador. Fala de suas características, modo de agir e condenação final.

I. AS CARACTERÍSTICAS DOS FALSOS MESTRES

Fazendo uma correlação com o povo de Israel, onde surgiram falsos profetas, o apóstolo Pedro diz que surgiria entre as igrejas falsos mestres. Em sua exortação aponta para as seguintes características:

a) Gostam muito de dinheiro – v. 3, 14. São avaros e por avareza, por amor ao dinheiro, fazem das igrejas um negócio, um comércio. A palavra utilizada por Pedro diz tudo: emporeuomai, que deu origem à palavra empório em nossa língua. São comerciantes do evangelho de Jesus Cristo e se utilizam de falsos ensinamentos para alcançar seus objetivos. Têm o coração exercitado na avareza (ver também 1Tm 6.5).

b) Andam em concupiscências de imundícia – v. 10, 14. Ninguém que ensina falsidades a respeito do evangelho de Jesus tem condições de se santificar realmente. A santificação é aparente, falsa, segundo os conceitos humanos e mundanos. São pecadores contumazes.

c) Desprezam as autoridades – v. 10. (kataphroneo desprezar, desdenhar, menosprezar, ter um baixo conceito de). Não aceitam qualquer tipo de autoridade sobre si, não querem ser governados por ninguém, muito menos por Cristo. Não reconhecem as autoridades constituídas. Sempre desejam governar, ter autoridade sobre outras pessoas. São atrevidos com as autoridades e blasfemam contra elas, difamando-as e injuriando-as (blasphemeo).

d) São como animais irracionais que seguem a natureza – v. 12. Seguem seus próprios instintos, vivem somente para a morte, sem esperança ou consciência de vida. Sem consciência de moralidade, de santidade, de retorno àquEle que nos criou.

e) Têm prazer nos deleites cotidianos – v. 13. Em outra versão está “luxúria carnal”, no sentido de vida luxuriosa, vida fácil.

f) São apóstatas – v. 15. Desertores do caminho de Cristo e seguidores do caminho da mentira, do interesse pelo dinheiro.

g) São arrogantes – v. 18. Falam do que têm no seu coração. Falam como se fossem melhores e mais conhecedores que os próprios escritores inspirados da Bíblia, que os pastores constituídos por Deus e que baseiam suas pregações nas Escrituras.

h) São fontes sem água – v. 17. O que têm em si não é a água da vida, pois são reservados à escuridão das trevas eternas.

i) São servos da corrupção – v. 19. São escravos daquilo que perece, da destruição, porque foram vencidos pela corrupção quando deixaram o caminho de Cristo.

II. O MODO DE AGIR DOS FALSOS MESTRES

a) Usam de palavras fingidas – v. 1,3. Introduzem encobertamente heresias de perdição e negam o Senhor Jesus. Mas não fazem isto direta e abertamente. Fazem dissimuladamente com palavras fingidas, dissimuladas. Falar é ação contínua de quem ensina. O falso mestre também fala, mas fala palavras falsas, mentirosas. Por saber que o crente ama a Palavra de Deus até a utiliza, mas torce a sua aplicação. Discorre amplamente sobre o conteúdo de um texto bíblico, mas a aplicação do texto à vida do seu ouvinte é sempre torcida, diferente do objetivo do texto, adaptada aos interesses pessoais dele.

b) Fazem com que seus seguidores blasfemem do caminho da verdade – v. 2. Porque fazem com que sigam suas dissoluções (práticas libertinas) e as dissoluções tornam-se motivo de escândalo para o evangelho de Cristo.

c) Engodam as almas inconstantes – v. 14. Os inconstantes são um “prato cheio” para os falsos mestres. São presas fáceis porque não se firmam na verdade. Ao invés de trabalharem por firmar os inconstantes, se esforçam para afastá-los cada vez mais da verdade, da simplicidade do evangelho de Jesus Cristo (2Co 11.3).

d) Falam palavras bombásticas, extravagantes – v. 18. (huperogkos). Em nossa versão está “coisas mui arrogantes” mas a idéia é de palavras de efeito bombástico, palavras extravagantes. E o fazem para atingir os desejos carnais das pessoas, engodando-as e atraindo-as.

e) Prometem liberdade – v. 19-22. Mas, como vimos anteriormente, são escravos da corrupção. Ou seja, prometem o que não podem cumprir porque prometem por si próprios. Utilizam os anseios do ser humano para enganar, pois prometem fazê-los alcançar os anseios, mas caminhos mentirosos, falsos, ou perigosos. Prometem o que abandonaram quando se deixaram envolver pelo pecado, quando deixaram o caminho da justiça, quando se desviaram do mandamento de Cristo.

III. O DESTINO DOS FALSOS MESTRES

a) Trarão sobre si mesmos repentina perdição – v. 1,3-. A palavra utilizada por perdição é apoleia que tem mais o significado de deteriorização, ruína, destruição. Eles próprios entram e prosseguem no caminho da perdição que lhes virá repentinamente, que não está esquecida, não dormita.

b) Estão reservados por Deus para o Dia do Juízo para serem castigados – v. 4-12. Um castigo que é certo porque Deus é justo. Ele não perdoou os anjos que pecaram, não perdoou o mundo antigo antes do dilúvio, não perdoou Sodoma e Gomorra. Por que perdoaria aqueles que andam segundo a carne em concupiscências de imundícia, desprezando a autoridade divina, que pelo seu comportamento obstinado no erro não se arrependem nunca e que obstinadamente perecerão na corrupção?

c) Morrerão no vômito e na lama espiritual – v. 21,22. Obstinados no erro tornaram-se como o cão que volta ao vômito e como a porca que volta à lama. Destinados à perdição, passarão por este mundo nesta situação espiritual lamentável.

IV. COMO O CRENTE SINCERO DEVE AGIR COM O FALSO MESTRE

a) Ter certeza de que eles existem – v. 1. O apóstolo Pedro estava garantindo aos seus leitores que assim como houve falsos profetas entre o povo de Israel, assim também existiriam falsos mestres entre as igrejas de Cristo. Apontou como sendo um fato inquestionável. O crente que se distrai, ou nega em seu próprio coração esta verdade é presa fácil do enganador.

b) Saber reconhecê-lo – v. 1. Existem mas estão encobertos atrás de aparência de piedade (1Tm 3.5). Se olharmos somente para a aparência, para o jeito de ser, para a suavidade da voz, ou para a aparência de austeridade, não reconheceremos nunca quem é falso, pois na aparência sempre parecerão verdadeiros. Por isso é falso. O “pirata” a gente reconhece logo. É necessário, então, reconhecê-lo pelas suas palavras que sempre introduzirão algum tipo de heresia, sempre levarão algum tipo de negação de Jesus como Salvador e Senhor; sempre procurarão os inconstantes, os mais apáticos ou enfraquecidos na fé, sempre falarão coisas mirabolantes, extravagantes ou bombásticas; estarão sempre levando a uma inconformidade com alguma autoridade e sempre estarão pregando algum tipo de libertação. Mas, voltando às suas características, observaremos que o falso mestre gosta demais de dinheiro e está sempre fazendo da fé em Jesus Cristo um negócio, um comércio; gostam muito de seguir seus instintos como os animais irracionais, e, por isso, têm grande prazer nos prazeres cotidianos, carnais. A carne sobrepuja o espírito. O que é realmente espiritual e não leva à carnalidade não tem qualquer valor para eles.

c) Resistir às tentações que oferecem – v. 9. O que oferecem são verdadeiras tentações, assim como o diabo ofereceu tentações a Jesus (Mt 4.1-11). Tentações que são heresias, tentações que levam à blasfêmia do caminho da verdade, tentações que levam à carnalidade; tentações que levam à subversão à Palavra de Deus; tentações que levam à destruição juntamente com eles (v. 3,9,12,17). Resistir sempre com o temor e a fidelidade a Deus, porque o Senhor sabe livrar das tentações (v. 12). Resista e deixa o Senhor livrar.

d) Ficar sempre firme no caminho direito – v. 15,18,21. O trabalho deles é levar crentes a fazer o que eles, resumidamente, fizeram um dia: desviarem-se do caminho direito, o caminho da justiça, o caminho de Cristo traçou para seus servos. Para vencer precisa existir um firme propósito no crente de não se deixar levar pelas concupiscências da carne nem pelas libertinagens, pelas insolências, pela luxúria (v.18); um propósito continuar firme no caminho direito, porque isto fará com que continuemos sempre nos afastando do caminho deles, os que andam no erro.

e) Desejar cada vez mais a purificação – v. 22. Ora, se o falso mestre é como o cão que volta ao seu vômito, ou como a porca que volta à lama, é uma pessoa que estava se afastando da imundícia e voltou a ela prazerosamente. Se um dia fomos purificados do nosso pecado, se um dia fomos lavados pelo sangue de Cristo, como poderemos buscar ou nos conformar em mergulhar na sujeira do pecado novamente?

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