O texto abaixo foi postado pelo Diácono Edson Cavalcante, secretário da Organização Brasileira de Batistas Históricos na lista de discussão Batistas Tradicionais. Vale a pena ler.
1. Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que
te destruirias a ti mesmo? (Ecl 7:16).
2. Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e
nunca peque. (Ecl7:16).
3. Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não
pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação,
conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um (Rom 12:3).
Ser justo e sábio é a meta do crente, mas não podemos esquecer que até
nisso temos limites impostos por nossa formação. Às vezes chegamos a
conclusões que nos parecem justas e sábias, mas essas poderão mudar se
continuarmos a raciocinar agrupando informações desprezadas. Quando
fazemos isso, incluímo-nos como possíveis personagens dos versos um e
três acima. Quase sempre não agimos com a verdade do verso dois. Não
digo com isso que somos uma “metamorfose”, mas a cautela é boa
conselheira, até no que consideramos cristalino.
Rebatizar ou aclamar?
Sabemos que o batismo de João simbolizava arrependimento (Mateus
3:1-6). Para a igreja no novo testamento foi acrescido o caráter de,
ao receber o Espírito Santo batizar (Atos 2:38;10:47;19:2-5). Em suma,
o batismo tornou-se marca de quem crer. O batismo estava para o
evangelho assim como a circuncisão para o judaísmo.
Com o crescer da apostasia (catolicismo) o batismo deixou de ser do
evangelho para ser da “igreja” (corrompida). Isso obrigou quem
procurava manter-se coerente recusar esse batismo fajuto. Uma maneira
de protestar era rebatizar (anabatistas), que na verdade não era um
outro, porque o primeiro não era reconhecido, assim como um judeu
circuncidado também era batizado. A nova aliança incluí a fé em Jesus
Cristo, ter o Espírito Santo, só assim é de fato batismo.
O problema é que doutrina não se parece, doutrina diverge. Não batizar
quem vem de outros credos, é juntar o que parece desprezando o
divergente. Mesmo quem diga crer em Jesus, é necessário saber qual é o
Jesus, e como se crer. Sem essa acareação é o mesmo que aceitar um
católico, espírita, neopenté etc. É algo parecido como aceitar ou
impor a circuncisão; é compatibilizar a nova aliança com coisas velhas
ou pela metade.
O batismo não é um trunfo dos batistas, embora pareça que ele nos
identifica. O batismo que praticamos, antes disso significa que temos
a mesma fé, o mesmo Senhor, a mesma doutrina (Ef 4:5), somos iguais.
Não comungamos com doutrina estranha (1Ti 1:3).
Na verdade essa problemática surge em nossos dias, porque os Batistas
estão “namorando” com outros credos apoiados em doutrinas diferentes
(divergentes). A maioria dos batistas atuais está ficando parecido com
os dos outros credos, inclusive o batismo. Então todos, ou nenhum
valem!
Com o diversificar das denominações e credos, o batismo também ficou
multisignificativo, ultrapassou o semântico e incorporou o conjunto de
cada credo.
Para nós o batismo, não é um rito, mas quem se batiza se compromete
com o conjunto doutrinário, que não só dizemos ser o certo, mas nos
esforçamos para entender assim.
Aceitar o batismo oficiado sob outros credos é diminuir o significado
real que ele tem para nós, o evangelho. Se considerarmos os batismos
de outros credos similares ao nosso, diremos com isso que o evangelho
deles também é igual ao nosso. Quem está certo? Se eles, vamos tirar o
chapéu e seremos então ecumênicos.
Se “Evangelhos” professados, estão em bases distintas, um é o correto
e os demais com certeza falsificados. E o batismo desses também.
Pelo que consigo entender, por essas razões e outras, sou favorável o
rebatizar oriundos de credos diferentes.
Quanto à aclamação, só justifica aplicar quando não há comunicação com
a Igreja origem; quando deixou de existir ou desviou-se
doutrinariamente, que equivale a deixar de existir.
Edson Cavalcante dos Santos.
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