terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A BENEFICÊNCIA NA BÍBLIA

Estudo 1

Um dos elementos da vida cristã que mais tem criado falta de paz e que tem esvaziado o potencial de evangelização nas igrejas de Cristo é a beneficência.
Não a beneficência em si, porém a beneficência desvirtuada por conceitos e ações humanas, que tem sido completamente distanciada dos padrões bíblicos. Os pensamentos aparentemente lógicos de homens têm feito isso.
A nossa intenção com esta série de estudos é deixarmos de lado os pensamentos humanos porque são sempre diferentes dos pensamentos de Deus (Is 55:8), menores que os pensamentos de Deus (Is 55.9), e vãos (Sl 94:11) e buscarmos cada vez mais o conhecimento divino a respeito deste assunto, com a finalidade de praticarmos beneficência verdadeira e eficiente para o reino de Deus, porque será uma beneficência bíblica.
A BENEFICÊNCIA É UMA DÁDIVA – 1Co 16:1-3.
O apóstolo Paulo deixou isto muito claro quando escreveu aos irmãos da igreja de Corinto: “E, quando tiver chegado, mandarei os que, por cartas, aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém.” O apóstolo utilizou a mesma palavra grega que é utilizada para referências à graça divina, charis. Isto significa que os crentes deveriam entregar ofertas beneficentes sem qualquer exigência ou condições de retorno.
Nos conselhos do apóstolo encontramos ensinamentos práticos e definidos sobre a dádiva para os crentes de Jerusalém:
1. As ofertas deveriam ser recolhidas semanalmente no dia que era dedicado ao Senhor. A beneficência deve ser considerada como parte do culto prestado a Deus e é responsabilidade da igreja como corpo de Cristo.
2. As ofertas deveriam ser juntadas durante a semana. Não era algo para ser tirado da bolsa, de qualquer maneira, do que sobrasse, no momento da dedicação de ofertas, mas deveria ser um valor planejado, separado com a finalidade de ajudar os irmãos necessitados.
3. As ofertas deveriam ser proporcionais à prosperidade de cada um. Ou seja, cada um, conforme a sua capacidade financeira juntaria durante a semana um valor que fosse de acordo com esta capacidade. Pensa-se logo: “Ah! Que bom! O pobre poderia dar pouquinho!” Certamente não seria pouquinho se considerado que ajuntou durante a semana e se considerada a capacidade financeira dele. Mas temos que pensar nos mais abastados que, via de regra, são os que contribuem menos e que, nos conceitos humanos deturpados de beneficência, sempre querem fazer beneficência com o dinheiro dos outros, promovendo eventos, pedindo ajuda, mas sem colocar seus bens à disposição dos necessitados.
4. As ofertas devem ser manifestação de amor e não podem ser um meio de promoção pessoal. O apóstolo Paulo pediu que não fossem feitas coletas quando ele chegasse. Se acontecesse assim certamente o resultado seria menor que o resultado de acúmulos diários. Mas, certamente também ele não queria que houvesse a menor possibilidade de pessoas se mostrarem beneficentes na frente dele. Recebendo o que fossem entregando na ausência dele, a oferta seria da igreja e não haveria nenhuma promoção pessoal.
5. As ofertas da beneficência devem ser principalmente para os domésticos da fé. O apóstolo Paulo estava empenhado em uma campanha de beneficência para os crentes de Jerusalém que passavam por grandes necessidades por causa do evangelho. O apóstolo Paulo não estava angariando sustento para todos os judeus, nem para todos os habitantes de Jerusalém, ou da Galácia, ou da cidade de Corinto, mas para os santos de Jerusalém. Escrevendo aos crentes da Galácia o apóstolo Paulo ensinou que devemos fazer bem a todos, mas definiu: “principalmente aos domésticos da fé.” (Gl 6.10). Não existe em nenhum lugar da Bíblia algum ensinamento de que um crente em Cristo, ou uma igreja de Cristo, se dedique ao sustento de pessoas que rejeitam Deus (quem rejeita a Jesus Cristo rejeita Deus esta é uma verdade bíblia). Geralmente utilizam o Antigo Testamento para dar ênfase à idéia de que precisamos alimentar e vestir todos os necessitados no mundo, mas lá, nas páginas do AT não encontramos, por exemplo, Deus mandando que seu povo alimentasse os pobres filisteus, nem amalequitas, nem amonitas, nem cananitas de um modo geral. Encontramos Deus, através de seus profetas, exortando o seu povo a cuidar dos necessitados do seu povo.
Por que a beneficência segundo os padrões humanos enfraquece a igreja de Cristo?
Enfraquece porque é utilizada como meio de promoção política. Líderes querem aparecer para autoridades e comunidades como se eles fossem muito benévolos, muito dedicados ao bem estar social. Para isto utilizam as igrejas de Cristo, o bom coração dos crentes.
Enfraquece porque lançam as igrejas de Cristo em profunda falta de recursos para sustentar seus obreiros, para sustentar a evangelização, para sustentar os necessitados das próprias igrejas, enquanto canalizam dinheiro para pessoas que vivem no pecado, que se dedicam à idolatria, que vivem no vício, na promiscuidade, na imoralidade. Quantas igrejas não estão sendo levadas a dedicar as ofertas dos seus membros para pessoas que se recusam a trabalhar, que gastam tudo no vício e na imoralidade?
Enfraquece porque leva a uma mudança de atitudes e sentimentos que desviam a igreja dos seus objetivos bíblicos. Ora, se beneficência é uma dádiva, se o cerne da beneficência é a oferta, quando se deixa de levantar ofertas (ofertas mesmo) e se passa à promoção de eventos tais como bazares, feiras, festas com barraquinhas, acostuma-se o crente a tirar sempre alguma vantagem e os donativos conseguidos não são através de ofertas, mas através de um comércio. Quem mete a mão no bolso para comprar um salgadinho, cujo valor será destinado à beneficência, por que não mete a mão no bolso somente para ofertar, sem ter que receber de volta o salgadinho? Da mesma maneira outra coisa qualquer. Quem compra uma camiseta não está ofertando, está comprando algo. É uma relação comercial e não beneficente. Com isto as igrejas vão enfraquecendo cada vez mais e deixando de ter condições espirituais de sustentar tudo o que a envolve financeiramente.

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